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2 materias sobre graff que saiu na folha: só alegria!!!
Os Gêmeos colorem o Cambuci e o mundo
JOÃO WAINER
REPÓRTER-FOTOGRÁFICO

Os gêmeos univitelinos Otávio e Gustavo Pandolfo, 31, grafiteiros conhecidos como Os Gêmeos, desde de janeiro de 2005 já expuseram seus trabalhos em Londres, Paris, Milão, Tóquio, Los Angeles, Nova York, Berlim, Havana, Hong Kong e Atenas. Eles são representados em Nova York por Jeffrey Deitch, da galeria Deitch Projects, que representa, entre outros, Basquiat, Keith Haring e Barry Macgee. A Nike acaba de lançar um tênis desenhado por eles, e o jornal "The New York Times" publicou reportagem elogiando a dupla e afirmando que suas obras podem valer até US$ 15 mil (R$ 34,2 mil) nos EUA.
Com um currículo desses, poderiam estar morando em qualquer lugar do mundo, mas ainda moram por aqui, no Cambuci, bairro paulistano de classe média. Não trocam a região por nada e, para a felicidade geral dos vizinhos e transeuntes, o que os irmãos mais gostam de fazer é grafitar as paredes e muros do próprio bairro, transformando-o em uma enorme galeria de arte urbana ao ar livre.
Com os seus personagens bem-vestidos e minimalisticamente desenhados nas paredes, interagindo com a paisagem, Os Gêmeos percorreram o mundo e o bairro do Cambuci teve muito a ver com isso.
No começo da década de 80, o movimento hip hop chegou a São Paulo, e o bairro foi um dos mais influenciados pelo rap, break e grafite. Carlos Antônio dos Santos, 37, o Mancão, foi o responsável pela introdução da cultura hip hop na região. "Foi no dia em que assisti a "Flashdance" que tudo começou", afirma ele, que aos domingos forrava com papelão o chão da rua Estéfano, dançava break e pintava muros com os amigos ao som de rap. Os irmãos Pandolfo, então com dez anos, assistiam a tudo e participavam ativamente. "Eu me lembro do dia em que eles chegaram para me mostrar o primeiro desenho que fizeram. Quando bati o olho, deu para ver que tinham talento. Eles se espelharam em mim e fizeram um desenho muito melhor que todos os que eu já havia feito", conta Mancão.
Nos anos 80, eles freqüentaram a estação São Bento do metrô, ponto de encontro considerado o berço do movimento hip hop em São Paulo. Antes de optarem definitivamente pelo grafite, tentaram o rap e o break -os gêmeos chegaram a cantar em um mesmo festival que os Racionais MCs, em 1988, na avenida Paulista.
"Acho que, se tivéssemos crescido em outro bairro, nosso trabalho não seria o que é hoje. Talvez até nem fôssemos artistas. A gente não pensava em nada, era só curtição. Fazíamos festas e dançávamos nas esquinas, vivíamos pintando na rua. Era um clima tranqüilo, muito diferente do de hoje em dia."
As paredes do Cambuci tiveram o privilégio, muitos anos antes de os irmãos nascerem, de serem pintadas por outro grande pintor brasileiro. Alfredo Volpi, que morou lá até morrer em 1988, pintava paredes e murais sob encomenda no começo da carreira e também retratou em sua obra o bairro que hoje inspira os mais novos expoentes das artes plásticas brasileiras.
Os pais da dupla, Walter e Margarida Pandolfo, contam que lembram de Volpi caminhando pelo bairro e chegaram a levar os filhos ao encontro do pintor em uma festa, no começo da década de 80.
"Quando eram pequenos, dei a eles uma folha de papel. Começaram a desenhar, um por cima, o outro por baixo. No meio do desenho, os traços se encontraram -ficou lindo. Os meninos sempre se falaram pouco. Eles se entendem pelo olhar", conta orgulhoso o pai.
"Na verdade, o bairro para nós é um grande ateliê. Às vezes, estamos em casa, surge uma idéia e vamos para a rua à procura da parede mais próxima para fazer. Todo mundo no bairro nos conhece. Vão logo liberando os muros", explica a dupla.
Expedito Pereira Lima, 77, proprietário do Bar do Índio, na rua do Glicério, aprovou o desenho que ganhou dos gêmeos e da grafiteira Nina, casada com Otávio, nas paredes de seu estabelecimento. "Eu já conhecia o trabalho dos meninos, então deixei. Acho bonito, todo mundo comenta, e muita gente vem fotografar e filmar. Eles não fazem sujeira, são muito bons, mesmo", completa ele. "A gente tem mesmo a intenção de embelezar o bairro. Infelizmente, por causa das viagens, não pintamos tanto quanto gostaríamos. Mas, quando podemos, nunca deixamos de fazê-lo", afirmam os irmãos.
Na manhã de quinta-feira, Os Gêmeos grafitaram a porta de um cortiço na rua Luiz Gama. Quando estão pintando, eles raramente se falam -trabalham de maneira intuitiva, como se fossem uma pessoa só. Alguns moradores do cortiço chegam a dar nomes para seus personagens. "Essa aqui é a Daiane, minha prima, e essa nova que eles estão fazendo vai se chamar Cristina", conta a moradora, feliz da vida com a nova amiga. As pessoas, acostumadas a ver os grafites dos irmãos pelo bairro, param para vê-los pintando.
Alguns desenhos da dupla são apagados pouco tempo depois de pintados. Os irmãos não ligam. "A gente vai lá e faz de novo", dizem, em tom despreocupado.

Livro reverencia grafite brasileiro
DA REPORTAGEM LOCAL
Se por aqui pichação e grafite continuam, muitas vezes, sinônimos de vandalismo, fora do país a técnica, o estilo e as mensagens dos grafiteiros brasileiros são reverenciados. "Graffiti Brasil" (128 págs., R$ 64), livro que acaba de sair pela editora inglesa Thames & Hudson, mostra a produção dos principais artistas nacionais do gênero.
Os Gêmeos estão na capa e numa das seções, ao lado de Zezão, Nunca e Alexandre Órion, entre outros. São cerca de 300 fotos de trabalhos feitos nas ruas de São Paulo, Rio e Recife. Escrito pelo inglês Tristan Manco em parceria com a dupla paulistana Lost Art (Louise Chin e Ignacio Aronovich) e com o americano Caleb Neelon, o livro será lançado amanhã, das 17h às 22h, na galeria Choque Cultural (r. João Moura, 997, Pinheiros, tel. 0/xx/11/3061-4051) e no dia 3 no MAM-SP (parque Ibirapuera, portão 3, tel. 0/ xx/11/5549-9688). (TN)

posted by dunia 10/30/2005 06:17:00 PM


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